Mensagens motivacionais pelo WhatsApp não impediram a queda da frequência à academia em um estudo publicado em outubro de 2026. Pesquisadores acompanharam novos alunos durante 12 semanas e compararam quem recebeu lembretes com quem não recebeu esse conteúdo.
A pergunta interessa a quem começa a treinar e aposta em notificações para não abandonar a rotina. O resultado não significa que todo lembrete seja inútil; indica que esse pacote específico de mensagens não produziu diferença detectável entre os grupos avaliados.
O trabalho analisou 61 pessoas que completaram todas as avaliações, incluindo 40 homens e 21 mulheres. Portanto, a manchete se aplica à rotina masculina, mas os resultados não são exclusivos de homens nem representam todas as academias brasileiras.
As mensagens aumentaram as visitas à academia?
Não houve aumento demonstrado. A frequência semanal caiu nos dois grupos ao longo de 12 semanas, e a diferença entre suas trajetórias não foi estatisticamente significativa. Os registros de entrada vieram dos sistemas das duas academias participantes.
O grupo de intervenção recebeu textos e peças visuais em grupos de WhatsApp por três semanas, em intervalos de um a dois dias. As mensagens propunham ações simples, destacavam apoio social e tentavam chegar em momentos oportunos.
O grupo de comparação não recebeu essas mensagens motivacionais. Ainda assim, também participava de um grupo de WhatsApp ligado ao estudo e respondia questionários periódicos. Esse contato pode ter influenciado a atenção dada aos treinos.
Quanto a frequência caiu durante o acompanhamento?
O modelo estatístico estimou uma redução de cerca de 7,1% no número esperado de entradas semanais a cada semana adicional de estudo. É uma estimativa da trajetória observada na amostra, não uma taxa individual de abandono.
Os autores não afirmam que 7,1% dos participantes desistiram a cada semana. Uma pessoa pode continuar matriculada e comparecer menos vezes; outra pode mudar sua rotina sem cancelar a inscrição. O estudo mediu visitas registradas, não todos esses motivos.
Também não é correto projetar esse percentual para a sua academia. As pessoas foram recrutadas em dois centros de treino, e somente os participantes que completaram quatro avaliações entraram na análise principal.
Como a pesquisa foi conduzida?
Foi um estudo controlado com alocação quase aleatória, conduzido em duas academias. Dos 94 participantes formalmente inscritos, 61 completaram os questionários no início, na terceira, na sexta e na décima segunda semana; seus registros de entrada foram analisados.
Vinte e sete pessoas ficaram no grupo das mensagens e 34 no controle. A média de idade da amostra completa era de aproximadamente 29 anos. As mensagens seguiram um modelo de comunicação que procura tornar uma ação fácil, atraente, social e oportuna.
O seguimento registrou a presença real na catraca, uma vantagem em relação a depender apenas da memória dos participantes. Já a força do hábito, a confiança para se exercitar e a adesão foram avaliadas por respostas a escalas.
Ir duas vezes por semana criou o hábito?
O estudo não demonstrou essa relação de causa e efeito. Quem frequentava a academia pelo menos duas vezes por semana apresentou, em média, maior força de hábito e maior confiança para se exercitar do que quem ia menos.
Essa comparação descreve uma associação. Pode ser que o hábito facilite a ida, que a ida fortaleça o hábito, ou que outras condições ajudem nas duas coisas. A pesquisa não determinou a direção dessa relação.
A frequência semanal também se correlacionou com as escalas de hábito, autoconfiança para exercício e adesão. Uma análise exploratória reteve a medida de adesão como variável relacionada às visitas, mas medições próximas no tempo não provam que ela as causou.
O que pode ajudar quem está começando a treinar?
Uma aplicação prudente é organizar horários viáveis e conversar com um profissional da academia sobre um plano adequado aos seus objetivos. Os autores sugerem investigar metas individuais, acompanhamento de frequência e apoio social; o estudo não testou esse conjunto como solução.
Vale observar sua própria presença durante algumas semanas e identificar obstáculos concretos, como deslocamento, horário ou exercícios que não combinam com sua rotina. Um lembrete pode ser útil para você, mas esta pesquisa não permite prometer que ele manterá a frequência.
Se o objetivo é força e você está retomando a atividade, nossa matéria sobre treino após os 40 discute como adaptar expectativas e progressão. Uma orientação individual continua importante quando há limitações ou dúvidas sobre a execução.
Quais são os limites da conclusão?
A amostra analisada foi pequena: 33 dos 94 inscritos não completaram todos os questionários. Os pesquisadores não obtiveram seus registros de entrada para a análise principal, o que pode favorecer uma amostra diferente do conjunto inicial.
Os autores também reconhecem que o grupo de comparação não ficou completamente sem contato digital. As mensagens duraram apenas três semanas, enquanto a observação chegou a 12. Não houve teste de diferentes textos, horários personalizados ou acompanhamento mais longo.
O artigo original conclui que lembretes breves, isoladamente, não bastaram nesse contexto. Para o leitor, o resultado é um convite a avaliar a rotina real de treino sem tratar uma notificação como garantia de constância.
