por: Bruno Mancini
Morar em bairros afastados impõe um custo invisível de tempo e dinheiro. O cansaço de viagens longas pode esfriar a empolgação dos encontros, criando um distanciamento gradual e puramente logístico.
Infelizmente, o preconceito social (aporofobia) contra a periferia ainda é real. O medo do julgamento alheio faz com que muitos omitam onde moram, criando um bloqueio de honestidade e vergonha na relação.
Muitas vezes, o bloqueio vem do receio, real ou imaginário, sobre a segurança do bairro. Isso impede que um dos parceiros visite o outro, concentrando todo o esforço de deslocamento em apenas um dos lados.
O cérebro pode interpretar a dificuldade geográfica como falta de futuro. Esse bloqueio emocional surge como autoproteção: a pessoa se fecha para não se apegar a algo que parece "logisticamente inviável".
Trajetos longos em transporte público ou trânsito pesado drenam a energia que seria usada para o romance. A rotina vira uma maratona, e o prazer do encontro é sufocado pelo estresse do deslocamento.
O bloqueio se torna insustentável quando apenas um lado cruza a cidade. Para o relacionamento sobreviver, o esforço de tempo e finanças precisa ser dividido, ou o ressentimento matará a conexão.
Existe o bloqueio? Depende da disposição. A resposta definitiva é que o endereço só vira um muro intransponível se houver desinteresse. Se os dois querem, a distância vira detalhe; se um não quer, qualquer quilômetro vira desculpa.