Fazer amizade com colegas pode parecer natural, mas nem todos constroem vínculos da mesma maneira. Um estudo acompanhado por universidades do Reino Unido, Estados Unidos e Suíça examinou como essas relações surgem no trabalho.
A pesquisa acompanhou quase 150 funcionários nos primeiros dez meses em uma organização. Entre os participantes, os homens mostraram maior tendência a formar amizades individuais e seletivas, segundo os pesquisadores.
Os resultados ganharam nova divulgação em 14 de outubro de 2026, pela Universidade da Suíça Italiana. Eles ajudam a pensar sobre convivência, confiança e oportunidades profissionais, mas não definem como todo homem se comporta.
O que o estudo descobriu sobre amizades masculinas?
Os pesquisadores observaram que, naquele grupo, homens construíram mais frequentemente amizades um a um, em vez de ampliarem círculos por meio de amigos em comum. As mulheres, em média, formaram redes mais interligadas.
Parte das amizades entre homens apareceu associada à percepção de utilidade para metas pessoais ou profissionais. Isso descreve um padrão observado, não uma regra universal nem uma prova de que toda relação masculina seja interesseira.
Como os pesquisadores acompanharam os participantes?
A equipe acompanhou quase 150 funcionários ao longo dos dez primeiros meses em uma organização, aplicando quatro levantamentos sobre as amizades formadas. O artigo foi publicado no periódico científico Social Networks.
É um recorte específico: o estudo não investigou todos os setores, países ou faixas etárias. Por isso, seria incorreto concluir que homens de qualquer lugar se relacionam sempre da mesma forma.
Ter poucos colegas próximos significa estar isolado?
Não necessariamente. Quantidade de contatos e qualidade dos vínculos são questões diferentes. Ter uma ou duas pessoas com quem conversar de verdade pode ser valioso, mesmo sem participar de todos os grupos do escritório.
Por outro lado, depender de um único contato para informação, apoio e oportunidades pode limitar a troca de experiências. Vale distinguir preferência pessoal de uma dificuldade real para se conectar.
Amizade no trabalho precisa ajudar na carreira?
Não. Uma boa conversa não precisa virar indicação, promoção ou parceria de negócios. A pesquisa apenas identificou que certos vínculos masculinos surgiam com mais frequência quando percebidos como úteis a objetivos.
Tratar cada aproximação como uma oportunidade de vantagem tende a enfraquecer a confiança. Relações duradouras também dependem de reciprocidade, respeito aos limites e interesse pelo outro além do cargo que ocupa.
Como começar uma conversa sem parecer forçado?
Comece por assuntos reais do ambiente: um projeto compartilhado, uma mudança de rotina ou uma experiência que vocês tenham em comum. Faça perguntas abertas e dê espaço para a outra pessoa responder.
A conversa pode terminar ali, sem convite nem promessa de amizade. Se houver afinidade, novos encontros tendem a surgir naturalmente. O importante é não transformar cada interação em uma prova de popularidade.
O que ajuda a criar confiança entre colegas?
Cumprir combinados, reconhecer o trabalho alheio e respeitar confidências costuma ser mais útil do que tentar impressionar. Evite usar informações pessoais compartilhadas em confiança como moeda de troca profissional.
Discordâncias também fazem parte da convivência. Nosso guia sobre como discordar sem transformar a conversa em briga aprofunda essa habilidade.
É possível ampliar o círculo sem virar outra pessoa?
Sim. Quem prefere conversas individuais pode manter esse estilo e, ao mesmo tempo, conhecer pessoas de outras equipes. Participar de uma reunião aberta ou compartilhar conhecimentos ajuda a variar os contatos sem fingir extroversão.
Também é útil conversar com colegas que não podem oferecer vantagens imediatas. Redes mais diversas expõem você a experiências e perspectivas que talvez não apareçam dentro de um único grupo.
Quando o ambiente profissional pede mais cautela?
Relações entre chefes e subordinados podem envolver diferenças de poder. Convites insistentes, exposição de assuntos íntimos e cobranças por proximidade não combinam com amizade livre e respeitosa.
Também não é obrigatório confraternizar fora do expediente. Preservar a privacidade e saber separar vínculo afetivo de obrigações profissionais é parte de uma convivência saudável.
O que levar dessa pesquisa para a vida cotidiana?
O estudo oferece um convite para observar seu próprio padrão de convivência, não para encaixar homens e mulheres em estereótipos. Pergunte se suas relações incluem confiança, trocas sinceras e espaço para conhecer outras pessoas.
Se o receio de conversar atrapalha sua vida social, vale explorar estratégias de autoconfiança no cotidiano. O objetivo é criar vínculos mais autênticos, não colecionar contatos.
